O corretor responsável pela venda de dois imóveis ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) foi alvo de comunicação do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) sob a suspeita de ter subfaturado uma transação imobiliária. Trata-se da mesma modalidade de fraude que promotores, agora, suspeitam ter sido praticada pelo senador nas operações com esse próprio corretor.
O Ministério Público do Rio conseguiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 9 empresas e 86 pessoas, incluindo o filho do presidente da República e esse corretor, o norte-americano Glenn Dillard.
A Promotoria considera haver indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio de 2007 a 2018, quando exercia o mandato de deputado estadual no Rio.
A investigação também cita indícios de lavagem de dinheiro em transações imobiliárias de Flávio, que realizou operações envolvendo 19 imóveis e lucrou com transações relâmpago, como revelou a Folha.
Os negócios imobiliários do senador já estiveram sob investigação do órgão no ano passado, mas o caso foi arquivado após ter como única diligência as explicações do próprio investigado. Nelas, Flávio omitiu a participação do corretor Dillard nas negociações.
No caso identificado pelo Coaf, o corretor tentou fazer uma operação de câmbio no Citibank em julho de 2015 no valor de R$ 775 mil. Ele admitiu a fraude ao relatar ao banco que o dinheiro tinha como origem a venda de um imóvel cuja escritura indicava como preço R$ 350 mil. O banco se recusou a fazer a operação e comunicou o caso ao órgão do Ministério da Justiça.
O subfaturamento nas operações imobiliárias pode ter como objetivo lavar dinheiro obtido ilegalmente. O comprador com dinheiro sujo paga ao vendedor “por fora”, geralmente em espécie, a fim de obter um bem de valor real maior do que o declarado. O dinheiro volta “limpo” quando a revenda é realizada.
O Ministério Público do Rio suspeita que Flávio tenha cometido esse crime nas duas operações imobiliárias com Dillard. Flávio nega irregularidades e diz que as transações foram normais.
Os dois imóveis que envolveram Flávio e Dillard haviam sido adquiridos em 2011, pelos proprietários anteriores, por um total de R$ 440 mil. Em pleno boom imobiliário na cidade, ainda em 2011 e em 2012, os antigos donos tiveram um prejuízo de 30% ao revendê-los ao hoje senador.
Tempos depois, Flávio revendeu um desses imóveis por R$ 573 mil (em novembro de 2013) e o outro por por R$ 550 mil (em fevereiro de 2014). Somadas, as transações lhe renderam um lucro de R$ 813 mil --diferença entre os R$ 310 mil investidos nas compras e o R$ 1,12 milhão que recebeu com as vendas.
O senador Flávio Bolsonaro disse, em nota, que não tem "qualquer responsabilidade pelas ações de outras pessoas. "Se alguém cometeu um crime, que responda por ele", disse.
Folha de São Paulo
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